• Redação GRAPE ESG

Artigo: E agora, 2021?

Atualizado: Jan 15



Por Ricardo Assumpção, CEO, Senior Partner da Grape ESG


Ufa, acabou 2020. Que ano…


Quantas vezes você já não escutou, leu, assistiu alguém falar isso neste começo de ano?


Como num passe de mágica, baseando-se numa esperança sem tamanho, muitos acreditam que com o final 2020, os problemas acabaram. Como acontecia na época de colégio: mesmo tendo ido mal, cheio de problemas, mal ter frequentado as aulas e nem saber o nome dos professores, atingiu o score mínimo, “passou de ano”.

E começa tudo do zero!


Infelizmente, ou felizmente, a vida não é assim.


E agora, 2021?


Falamos muito sobre nossa fragilidade, como a pandemia mostrou que não somos à prova de nada. A sustentabilidade ficou no centro das atenções. Afinal, não foi só a pandemia, vimos o mundo pegar fogo literalmente, com as queimadas.


As questões sociais nos fizeram refletir sobre as nossas próprias atitudes em relação ao racismo e à forma como não criamos oportunidades para as minorias. Ficamos chocados com a omissão cometida por empresas em relação às suas políticas sociais e vimos como o impacto ambiental e social destrói valor não apenas de marca, mas também valor financeiro.


E veio o debate sobre ESG. Assistimos milhões de lives sobre o assunto. Da noite para o dia nos tornamos experts nas 3 letrinhas que medem como uma empresa se comporta e como anda sua reputação. Esta sigla que vai mudar o jeito do mundo investir seu dinheiro é um movimento sem volta, global, no qual o Brasil ainda é coadjuvante


Mas e agora, vamos repetir tudo de novo em 2021?


Se 2020 nos fez entender os impactos reais do ESG nos negócios, 2021 será o ano em que as empresas vão se preocupar em como integrar sustentabilidade nas suas estratégias, entender o que é mais material e buscar criar valor com isso.


O debate ainda será focado na questão ambiental e como as mudanças climáticas são um risco real para as empresas. Mas o social deve ganhar muita força, ainda mais no Brasil, onde convivemos com diferenças sociais brutais.


O Brasil ainda engatinha na questão ESG, acessamos apenas 0,8% do mercado de Bonds sustentáveis. Um número ínfimo para um país que tem a Amazônia, o maior bioma mundial.


No acesso ao mercado de capitais, devemos ver uma mudança acentuada, uma vez que o “pote de ouro” está com a tampa aberta para aqueles que de fato têm metas claras de sustentabilidade.


E aí mora um dos problemas. O brasileiro é bom de publicidade, e tem muita gente se “pintando de verde” para não ficar para trás. Veremos muitos casos de greenwashing por aí. Há empresa de bilhão com anúncio em horário nobre na TV aberta dizendo que é sustentável sem nem tentar praticar isso.


Mas também veremos muitas empresas se apropriarem do ESG e fazerem um trabalho sério. Não só as grandes, pequenas e médias empresas também estão preocupadas em fazer melhor. E claro, descobriram que sustentabilidade é um catalisador de inovação e um fator de diferenciação.


2021 será um divisor de águas e poderemos ver quem ficou apenas no discurso e quem abordou de fato o tema.


E para mostrar isso, proponho, ao longo de 2021, publicar mensalmente artigos mostrando os desafios e os resultados de dos bons trabalhos que virão.


Mãos à obra!


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