• Redação GRAPE ESG

Entrevista: Gesner Oliveira, economista e sócio da GO Associados


Por Rhayana Araújo

Nesta semana, a Plataforma Grape ESG traz mais uma entrevista especial. Desta vez, com Gesner Oliveira, economista, sócio da GO Associados e coordenador do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Gesner, que também integra o Conselho Consultivo da Grape ESG, explica como as empresas de infraestrutura devem ser mais sustentáveis, aliando a preocupação ambiental com a social.

Gesner Oliveira fala, ainda, sobre os desafios para a incorporação do ESG dentro das empresas, afirmando que criar uma cultura empresarial de sustentabilidade é um dos maiores. “Não basta que haja somente uma única diretriz da empresa que revele alguns princípios, são necessárias ações concretas e aprimoramento constante para se atingir a efetividade na incorporação da política de ESG”, ressalta.

Confira a entrevista completa abaixo:

Portal Grape ESG - No atual cenário, como as empresas de infraestrutura podem trabalhar para serem mais sustentáveis, de modo a ampliar o impacto ambiental positivo?

Gesner Oliveira - Empresas de infraestrutura devem ter uma visão clara acerca das externalidades geradas pelo seu processo produtivo. Isso vale tanto para a implantação de projetos com grandes obras e intervenções que afetam o meio ambiente, quanto em relação à geração dos serviços de infraestrutura que podem gerar resíduos passíveis de reutilização.

É preciso, portanto, ter uma matriz de materialidade, verificando que ações podem de fato tornar o processo produtivo amigável com o meio ambiente. Além disso, a preocupação ambiental (E) deve vir acompanhada da social (S), visando conquistar uma licença social de operação, bem como uma política interna de respeito ao trabalho e à diversidade.

Portal Grape ESG - Como funciona o ciclo virtuoso do ESG dentro das empresas?

Gesner Oliveira - Atualmente, o uso do ESG possui dois grandes impactos: interno e externo. Internamente, a política de ESG produz maior engajamento dos colaboradores e consequentemente maior produtividade. Isso, por sua vez, gera melhores resultados, maior capacidade de investimento e intervenção da empresa no mercado, aumentando o alcance das políticas de ESG.

Portal Grape ESG - Quais os maiores desafios e as maiores oportunidades ao incorporar o ESG numa empresa? Quais as perspectivas para o Brasil neste campo em 2021?

Gesner Oliveira - Um dos maiores desafios é criar uma cultura empresarial de sustentabilidade. Não basta que haja somente uma única diretriz da empresa que revele alguns princípios. São necessárias ações concretas e aprimoramento constante para se atingir a efetividade na incorporação da política de ESG.

Nessa linha, acredito que algumas empresas vêm se adaptando à tendência. Cresce a cada dia o número de empresas que criam comitês específicos para revisar e implementar a política de ESG na rotina empresarial. Isso deve ser uma decisão tomada no âmbito da alta administração, mas que precisa ser transmitida ao conjunto da organização, promovendo uma verdadeira revolução cultural na Empresa.

Portal Grape ESG - Em sua opinião, por qual motivo as empresas que valorizam as práticas ESG podem ter melhores resultados do que aquelas que não consideram o tema?

Gesner Oliveira - Isso se deve a três razões principais. Primeiro, pela obtenção de capital de terceiros a um custo mais baixo, reduzindo o custo de capital. Segundo, isso ocorre pela redução do risco, especialmente ambiental que tende a se tornar mais importante na atualidade. Terceiro, pela maior produtividade dos colaboradores e do conjunto da cadeia de suprimento e distribuição.

Portal Grape ESG - Aderir ao ESG é um diferencial em tempos de crise? Como, por exemplo, a pandemia de Covid-19?

Gesner Oliveira - A crise exige cooperação dentro e fora da Empresa. As políticas de ESG constituem essencialmente em uma nova visão de responsabilidade da Empresa perante um conjunto amplo de stakeholders e não apenas de seus acionistas.

Sobre Gesner Oliveira:

Professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Obteve seu Ph. D em Economia pela Universidade da Califórnia/Berkeley, é mestre em Economia pela Unicamp e bacharel pela Universidade de São Paulo. Sócio da GO Associados, foi presidente da Sabesp (2007/11). Foi presidente do Cade (1996/00). Foi também Secretário de Acompanhamento Econômico (1995) e Secretário adjunto da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1993/95).

Realiza trabalhos de consultorias para os principais grupos privados e estatais em diversos setores. É conselheiro independente certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e conselheiro de diversas empresas e entidades.

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