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Especialistas debatem mudanças climáticas e a COP 26 em webinar da FGV EAESP com apoio da Grape ESG


Expectativas sobre qual será o papel do Brasil no combate ao aquecimento global e as soluções e oportunidades que a iniciativa privada pode construir na transição para uma economia verde foram destaques no evento.


Por Equipe de Comunicação Grape ESG


A COP 26 - 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, marcada para acontecer entre os dias 1º e 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia, já está no radar dos profissionais brasileiros que atuam na área de meio ambiente e sustentabilidade. Considerado um marco para evitar uma catástrofe climática global, o evento está servindo para pautar discussões antecipadas em torno do tema. Foi a proposta elencada no webinar “Mudanças climáticas e metas empresariais para a COP 26”, ao abordar qual será o papel do Brasil na COP 26 e das empresas privadas, realizado em 4 de outubro pelo Centro de Estudos de Infraestrutura & Soluções Ambientais da Escolade Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (CEISA - FGV EAESP).


Moderado por Gesner Oliveira, coordenador do CEISA - FGV EAESP, o evento contou com palestras da doutora Thelma Krug, vice-presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e conselheira da Grape ESG (empresa que desenvolve estratégias e negócios sustentáveis); e Ricardo Assumpção, CEO da Grape ESG.


Com um panorama sobre os principais pontos que o Brasil vivencia no âmbito das mudanças climáticas, Gesner lembrou o papel central que o País exerceu durante a Eco´92, no Rio de Janeiro, e que serve como questionamento para verificarmos qual é a agenda do Brasil nesta COP 26, quase três décadas depois do evento no Rio e a alguns meses dos sinais que de que estaríamos vencendo a crise imposta pela pandemia da Covid-19.


Para Gesner, o posicionamento brasileiro está atrelado a várias questões, como a regulamentação do mercado de carbono e os altos índices de desmatamento que o Brasil tem enfrentado desde 2012 e que é fonte de preocupação para toda a sociedade.

“Estamos na expectativa de qual será o resultado do Prodes (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia), em novembro, para compararmos se há uma tendência de crescimento do desmatamento em 2021 em relação a 2020, ou se conseguimos reverter esse quadro”, observou Gesner. Ele chamou atenção dos especialistas para pensarmos sobre a representatividade e adequação necessária do setor privado para fazer com que possamos atingir as metas brasileiras anunciadas em relação ao fim do desmatamento ilegal até 2030, e termos as emissões líquidas de carbono zeradas em 2050, entre demais questões que envolvem a participação de outros países para evitar uma tragédia global no que concernem as mudanças do clima.


Investimentos ESG


Na sequência, Ricardo Assumpção salientou que parte da forma como vamos conseguir alcançar os objetivos é sensibilizar o mundo corporativo, uma vez que traçar metas é relativamente fácil, mas cumpri-las para atingir os objetivos não é tão simples. Por isso, ele pergunta se o setor corporativo está preparado para dar esse suporte? “Na hora de falar, e me incluo nisso, participamos com muita força, mas o que precisamos ver agora é qual o trabalho que será feito, quais ferramentas temos a disposição para que consigamos avançar nessa trajetória, principalmente em razão de que o assunto é muito urgente, uma vez que estamos às vésperas da COP26?”, avaliou.


O executivo lembrou que a cada COP realizada o papel do setor privado tem sido determinante. “É a indústria que participa e contribui para que os países alcancem as suas metas, a NDCs. Já estamos vendo quais são os impactos e desafios que o setor privado vai enfrentar para alcançar bons resultados a partir dessa edição da COP, entre eles temos que enfrentar a questão da regulação do mercado e os desafios legais porque cada vez mais começamos a ver os tribunais como palco para decidir se as empresas estão sendo ambiciosas suficientes, por exemplo”, informou.

Ricardo chamou a atenção para alguns movimentos importantes que estão acontecendo no Brasil e destaca que a Anbima (Associação Brasileira dos Mercados Financeiros e de Capitais) vai regulamentar os fundos de investimento em ESG, os fundos Verdes, que proliferaram de um ano pra cá, atingindo a soma de R$ 2,5 bi. “Esses fundos terão uma designação como IS (Investimento Sustentável). Tudo isso ajuda organizar o mercado para que seja possível chegar aos objetivos esperados”, analisa.


O CEO da Grape ESG finalizou sua apresentação destacando que o mundo corporativo vive de uma combinação entre a sustentabilidade financeira e o impacto positivo que ele deve causar. “Portanto, o grande desafio seja conseguir casar as duas variáveis e seguir em frente”, disse.


O executivo acrescentou que segundo o jornal The Economist, os custos com as mudanças climáticas nos próximos cinco anos, as 215 maiores empresas do mundo devem gerar em torno de US$ 1 trilhão, ao mesmo tempo em que o custo de adaptação vai exigir do setor privado US$ 180 bilhões anuais na próxima década. “Então, temos que nos preparar, pois os recursos são finitos, devem ser bem alocados e precisamos entender qual é a melhor forma de fazer isso. O senso de urgência já existe, agora temos que partir de fato para entender o que pode ser feito até porque o mundo é um só, mas a nossa realidade ambiental e econômica no Brasil é muito diferente de países da Europa, da Ásia, e dos Estados Unidos, por isso é importante entender as nossas peculiaridades, características e atuar de acordo com elas”, pontuou.

Subsídios da Ciência


Diante da sua expertise na área da Ciência, Thelma mostrou uma análise a partir do tema proposto no webinar, informando a importância do papel do conhecimento científico para o cumprimento das metas do Acordo de Paris e para as tomadas de decisões sobre as questões do meio ambiente, sustentabilidade e combate ao aquecimento global. “Não podemos nos desassociar do conhecimento científico frente aos desafios que representam as mudanças do clima e o que elas significam, inclusive, para a tomada de decisão do setor privado”, comentou.


A especialista apontou que dados, como os do novo relatório do grupo de trabalho do IPCC, lançado em agosto passado, focado na ciência do clima, com resultados robustos e atualizados, baseados em informações de outros relatórios extensos, ajudam a conduzir novas ações, incluindo formadores de políticas, com base nas concordâncias e evidências desses estudos similares. “O relatório sai em uma hora boa, quando estamos vendo várias coisas sendo colocadas à mesa da COP 26”, salienta.

Segundo Thelma, o estudo do IPCC, elaborado num prazo de mais de quatro anos e meio, com cerca de 230 autores voluntários, traz mensagens fortes, especialmente em um ano atípico sobre os eventos climáticos extremos que estão acontecendo ao redor do mundo. “Os extremos sempre existiram, mas estão sendo observados com uma maior frequência e intensidade. Isso é preocupante. O relatório também destaca que a contribuição do homem, das atividades antrópicas decorrentes das atividades humanas, são responsáveis por esse aquecimento que temos observado, que hoje está em 1.1 ponto graus Celsius, dentro de uma certa variação, acima dos níveis pré industriais”, informa.


Thelma ressalta que tradicionalmente os relatórios do IPCC sempre informaram os governos. O IPCC é um painel de governo, com 195 governos membros. “O objetivo do IPCC é informar os governos para que possam ter elementos que subsidiem à melhor tomada de decisão em um fórum político, como é o caso da COP 26”, destaca. Ela completou sua apresentação com alguns dados já disseminados a partir dos subsídios oferecidos pelos relatórios do IPCC e que alertam para o aumento do aquecimento global e os problemas e impactos que implicam para o meio ambiente em termos globais e alguns cenários possíveis para o futuro.


Oportunidades na transição para a Economia Verde

Ao abrir os debates, Gesner questionou aos especialistas se as metas anunciadas pelos outros países, bem como as brasileiras estão alinhadas com as urgências que o planeta precisa.


Ricardo Assumpção explicou que grande parte das emissões está nas mãos da China e dos Estados Unidos. “Começamos a ver movimentos importantes no mundo para reduzir o carbono, como o Net Zero, mas não são todos os países que colocam suas metas”, aponta.

Ele chama a atenção para algumas falhas sistêmicas que atrapalham o alcance dos objetivos climáticos. Entre as recomendações para as empresas ampliarem sua participação no mercado de carbono, Ricardo cita a criação de incentivos financeiros. Além disso, para o executivo se a China não entrar de forma consistente no cumprimento das metas, será difícil que o restante do mundo venha a cumpri-las.

Sobre as metas brasileiras, Assumpção observa que não são tão ambiciosas, mas nos deparamos com um problema representado pela existência de caminhos nebulosos para que sejam cumpridas. “Existe muito a ser feito. A Ciência deu um patamar, agora o mundo precisa endereçar isso. No Brasil existe uma série de iniciativas de empresários, com manifestos para a COP 26 mostrando que o setor privado está muito orientado a fazer sua parte. Ele entende essa urgência climática e enxerga as oportunidades, assim como apesar de algumas derrapagens do governo brasileiro, estamos vendo governos estaduais se posicionando de uma forma forte também. Portanto, o Brasil está orientado para atingir suas metas”, conta.


Entre várias observações, Assumpção destaca que estamos falando de oportunidades na Economia Verde que são oportunidades financeiras. “E para isso acontecer em prol da redução das mudanças climáticas temos que buscar a inovação, algo importante para as empresas e elas começam a reconhecer sua relevância e peso para as estratégias de negócios”, esclarece.


Em suas conclusões, Thelma Krug afirma que o mundo não está em uma trajetória para reduzir a temperatura da Terra para 1,5ºC e que o Brasil não tem trabalhado para reduzir suas emissões acordadas desde 2005. “É necessário que o Governo mostre sua cara, ou seja, como que nós vamos entrar dentro dessa urgência?”, questiona Thelma e, acentua: “não há mais como negar a urgência climática”.


Para assistir ou rever o evento, acesse aqui.



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