• Redação GRAPE ESG

Pós-pandemia e ESG: G7 reforça necessidade de esforço coletivo mundial


Imagem de Bela Geletneky por Pixabay

Leia a análise de Ricardo Assumpção, CEO da Grape ESG, publicada originalmente em sua coluna no Boletim semanal da GO Associados, da qual é conselheiro.


As pressões continuam crescendo em relação às ações necessárias contra as mudanças climáticas e aumentam as responsabilidades dos países mais desenvolvidos e empresas, à medida em que chegamos mais perto da COP-26, em novembro no Reino Unido. Foi este o tom no encontro de líderes do G7, que incluiu o anfitrião Boris Johnson e figuras como o Presidente dos EUA Joe Biden e a chanceler alemã Angela Merkel. O encontro, que aconteceu na Cornualha, também no Reino Unido, mostrou que o G7 aprendeu o quanto estamos expostos às ameaças globais com forte impacto econômico, incluindo doenças infecciosas, mudanças climáticas e perda de biodiversidade, e também da necessidade de investimentos conjuntos em ações que vão além das relacionadas ao meio ambiente. A pandemia tem potencial avassalador para acentuar ainda mais as diferenças sócio econômicas entre as pessoas. No curto prazo corremos o risco de carimbar o mundo como os “vacinados” e os “não vacinados”, com consequências desastrosas principalmente no eixo “social” do ESG, de forma ainda mais forte para os países pobres e os países em desenvolvimento. No médio e longo prazo temos um grande desafio e uma tremenda oportunidade. O desafio é não repetir o erro da última grande crise, a última grande recessão econômica de 2008, quando a recuperação não foi uniforme em todas as camadas da sociedade e os investimentos insuficientes, o que pode deixar cicatrizes permanentes e cristalizar as diferenças impostas pela pandemia, como disse o primeiro-ministro britânico. É compreensível que os líderes estejam concentrados na saúde de suas próprias economias, que estão mostrando sinais de recuperação e precisam de atenção. Mas o G7 reconhece a necessidade de um investimento significativamente maior na próxima década para permitir um crescimento forte e sustentável. Os planos de recuperação globais são focados numa economia verde e equilibrada. E aí está a grande oportunidade. Neste esforço em direção a uma economia melhor e baseada no desenvolvimento sustentável o G7 lançou a iniciativa chamada “Build Back Better World (B3W)”, com mais de US$ 40 trilhões para suporte à infraestrutura em países de baixa e media renda na América Latina e Caribe, África e Indo Pacífico e guiados por princípios como alta governança e parcerias estratégicas, além de garantir que todo o investimento será realizado com foco em atingir as metas do Acordo de Paris. Juntamente a isso, em parceria com a inciativa privada por meio do B3W serão realizados investimentos em quatro áreas de foco – clima, saúde e segurança da saúde, tecnologia digital e igualdade de gênero. É possível ver que o movimento mundial é consistente com a materialização de um planeta mais limpo e mais verde, e reconstruir nossa sociedade no pós pandemia nos oferece uma oportunidade de construir melhor. Todas estas iniciativas devem ajudar o mundo em desenvolvimento a reduzir as emissões de carbono coordenando esforços para reduzir as emissões em setores que consomem muita energia, como aço, cimento e produtos químicos. Mas friso um ponto importante: impacto ambiental e impacto social caminham juntos com a governança, nenhum destes pilares pode ser esquecido. Atingir o desenvolvimento sustentável depende mais do que nunca do equilíbrio!



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